Erasmus? Onde?
December 14, 2007

Em Siena o Erasmus é diferente, tão diferente. Por lá as pessoas vêem-se todos os dias e conhecem-se praticamente todas. Há 4 vezes menos Erasmus em Siena do que na minha Universidade em Madrid.
Estar em Siena é como estar numa ilha. Tudo corre rápido, mas todos correm ao mesmo ritmo. Há tempo para amizades mais fortes ou paixões. Os jantares são geralmente na cantina da Universidade e as festas passadas em conjunto.
Isto faz com que uma festa fraca, com vinho mau e música rasca não pareça tão evitável. Aqui encontra-se a tal substância que por vezes me fugiu em Madrid, embora não se encontre tantas outras coisas.
Já em Milão a vida anda sobre caminhos semelhantes aos de Madrid. A casa da Rita está cheia de gente de Portugal e o que me pareceu fazer valer o seu Erasmus são os passeios pelo centro, as fugas para outras cidades e as (boas) pessoas que conheceu por lá, mesmo que, ao inicio, mais portugueses.
Dá para perceber que Erasmus não é o que nós pensamos que vai ser ou que deve ser, ou o que os outros têm ou tiveram. É o que nós construímos como queremos, quando queremos e à velocidade que queremos. Parece-me que, para onde quer que vamos, se nos sentirmos minimamente encaixados, vamos conseguir gostar do tipo de cidade em que estamos.

Dias 5,6 e 7
December 14, 2007
Domingo seria dia de Bolonha. Mas o cansaço e a preguiça enclausuraram-me na casa da Nádia. Passado uma óptima segunda-feira com a Rita, uma visita ao cemitério de Milão já hoje, terça-feira, estou na porta de embarque à espera e tento avaliar um pouco o que Itália me trouxe.
Em Milão as pessoas são menos simpáticas, mais atarefadas, com mais cara de quem tem pouco tempo a perder com coisas pequenas. Como a Rita me disse, Milão parece não ser Itália, Itália brilha bem mais do que esta cidade coberta de uma qualquer nuvem de poluição.
Itália é viajarmos ao passado enquanto passeamos por Florença, entrarmos num postal quando passamos ao lado da Torre de Pisa, perdermo-nos nas ruas labirínticas de Lucca, comermos piza na Praça principal de Siena e apercebermo-nos que o Coliseu não é tão grande quanto julgávamos pelas fotos.
Em Itália, mais uma vez, apagaram-me as pré ideias, preconceitos. Conheci monumentos de uma história de milhares de anos, pisei o chão de cidades que erradamente pensei serem inigualáveis, surpreendi-me com outras. E o que fica?
Fica a importância dada à elegância, as centenas de mini’s espalhados por todas as cidades, os fiats 300, a simpatia das pessoas na Toscana, as pizas, massas e lasanhas que repetidamente comi, a boa rede de transportes de Itália que contrasta com uma desorganização permanente em relação a pequenos aspectos
Fica o dinheiro que temos de pagar para ir à casa de banho nas estações (50 cent), as luzes e feiras de Natal das várias cidades, o movimento e animação das ruas de Roma. Imigrantes a vender livros, malas da Prada falsificadas, pulseiras. Os arredores de Florença.
Fica também a primeira vez que senti que irei ter saudades de Madrid, da sua cultura, actividades e movida; das pessoas que conheci, dos momentos que tive por lá e dos meus roommates. Vai-me saber bem voltar
Dia 4 – Roma
December 12, 2007

Só alguém presunçoso é que se deita às 5 da manhã – ora incrivelmente tardia para Siena – com autocarro às 7.30h para Roma. Naturalmente que perdemos o autocarro. Essa derrota pesou-nos terrivelmente: estava tudo fechado e uns prováveis 2 graus negativos feriam-nos a cara.
Chegados a Roma, apanhámos um daqueles super autocarros em que se entra, se finge ter passe e se viaja sem qualquer custo adicional até ao centro. Roma é Roma. Em Roma não só se tropeça em história, com se bate com a cabeça, se leva com encontrões e se é espancado pela história.
O plano era dormir em casa de um amigo do Juliano, mas chegámos à conclusão que não valia a pena e lá vimos o Fórum, o Coliseu, as ruas de compras, a Fontana di Trevi, o Vaticano, as mil e umas igrejas e, coincidência das coincidências, o senhor Papa.
De Roma fica, mais do que as fotos e as memórias do passeio flash, a vontade de voltar.
Dia 3 e 4 – Pisa, Lucca e Florença
December 12, 2007

Lá acordei em Siena. Siena suga-nos para uma época que é tudo menos moderna. Sabe bem respirar, olhar pela janela e, se fosse possível, assobiar e chamar um cavalo, que por exemplo se podia chamar Berlinde.
Lá seguimos num comboio meio antigo para Pisa, que está cheia de bicicletas e é atravessada por um rio que lhe dá um ar mais acolhedor. Vimos algo estranhíssimo – uma torre torta – e lá escapamos para Lucca, uma pequena cidade feita de ruas pequenas, caminhos antigos e praças cozy.
Já no dia seguinte, sexta-feira, seguimos para Florença… Florença! Florença tem a mais bonita ponte que eu conheço. Toda a cidade faz parte de um pequeno filme ou exposição de fotografias e sabe bem passear por ali. O rio, as ruas apinhadas de gente, as feiras de Natal.
À noite foi tempo de jantar de Natal aqui por Siena e de me tentar encaixar no grupo de amigos da Nádia. Conheci o Bora, o Eduardo, três raparigas belgas com nomes difíceis de decorar, o Giovani, canadiano, e o Gil, australiano – que vai para os EUA para o ano e deu alguma vontade de (pensar) fazer o mesmo.
Acabei por me sentir bem e por ficar por lá a dançar com os Erasmus de Siena até aquilo fechar.
Dia 2 – Siena
December 12, 2007

(Vista do quarto da Nádia)
5 horas de camioneta até Siena. Novas histórias, novo género de Erasmus, nova cidade.
Siena é o total oposto de Madrid. Dentro da muralha, é calma, pequena, isolada de qualquer vestígio de urbanização. As ruas à noite estão com pouca gente e os bares fecham cedo.
Cheguei e fui comer à cantina da Faculdade. Hipóteses: massas, massas, massas, piza, massas, carne grelhada. Fui pelas massas. Conheci a Rita, roommate da Nádia, o Juliano, do Porto e passei pelo Encontro o barzinho onde o grupo da Nádia de junta, onde estava o Ricardo e a Joana.
À noite fomos até um bar/discoteca apinhado de Erasmas bêbadas e sedentas de qualquer coisa de sexual, alinhados frente às hostes italianas. Aparentemente as festas Erasmus são iguais em todo o lado, pareceu-me é que o problema é que aqui em Siena não dá para fugir.
Dia 1 – Milano
December 5, 2007

Conheci dois tipos de cidade em Milão. A suja, urbana, poluída, descuidada, apressada, cinzenta. A elegante, rica, pensada, clássica, iluminada.
Esta última é o centro. É a do Duomo, do castelo, das ruas com lojas da Armani ou Prada, de estradas pintadas com Maserati’s de onde saem jogadores de futebol ou um qualquer magnata. É a dos canais pensados por Da Vinci, dos Trams (eléctricos cor-de-laranja) e das lojas perfeitamente pensadas para assediar as nossas papilas (edit) gustativas.
Vi de tudo. Vi mais Erasmus, vi o mundo da Rita, os amigos, os gostos, as novidades. Mas nunca a vi, ouvi, a dizer realmente bem da cidade. Nem a ela nem a ninguém. Os bares e discotecas estão proibidos de vender álcool a partir das 2h, alguns Italianos pareceram-me (como já muitos me pareceram em Madrid) pouco inteligentes, não há respeito nenhum na estrada e as ruas à noite ficam desertas.
Mas aqui também nos podemos encantar. É preciso sabermo-nos encantar em qualquer lado. A mim encantou-me o facto de que em Milão entrar num autocarro ou Tram não implica pagar. Encantaram-me as Galerias Vittorio Emanuele II. Encantou-me a chegada, com os Alpes em plano de fundo. Encantou-me principalmente estar com a Rita porque já tinha saudades.
Também foi só uma noite e um dia. Daqui a uns dias volto, mas por agora estou enfiado num autocarro para Siena. A Nádia e a Toscana esperam-me e eu continuo à procura de tipos de Erasmus diferentes.
Nota importante I: os bancos da Easyjet são MUITO mais espaçosos.
Nota importante II: minutos antes de aterrar passamos pelo maior poço de ar que eu já senti. Podemos dizer que me borrei todo, que ouve uns guinchinhos e que os pés da hospedeira saíram do chão durante meio segundo.
My personal retiro
December 4, 2007

E alguém pergunta, assim com um ar maroto e desafiador… E as aulas? Não há aulas? Há mais ou menos. Mais ou menos porque aqui há consciência, ou melhor, problemas da dita, como tão bem descreveu a minha agora profundamente estimada Quina.
Não consigo faltar às aulas, sem no dia seguir ter de me actualizar com alguém que tenha ido. Há quanto tempo isto não acontecia? Estou a espera da nota do primeiro exame e já a preparar a curta metragem com as colegas de Historia del cine informativo, a Amélie e a Sara.
Mas como isto das visitas é muito cansativo, optei por sair para descansar um pouco. Parto daqui a 2 horas para Milão, onde está a Rita, e Siena, onde está a Nádia.
Ciao!
Sofia!
December 4, 2007

E de Sofia. Não se fala de Sofia? Claro que se fala de Sofia, daquele ser querido e simpático que decide dar um pulo a Madrid. Das passeatas, conversas, actualizações. Da descida pela calle de Alcalá até à Gran Vía, do jantar no nosso Palácio e da despedida no Hard Rock com os Nachos (NAXES para a Joana, Mariana Baptista e a amorosa, simpática e ainda não mencionada Ângela, compañera de piso da Joana).É engraçado ver como um ser tão desprezível e rígido se tornou num amor de pessoa (UAH AH). Gostei muito, gostei muito! : )
Fotos aqui. (LINK)
II – Estás soltero?
December 4, 2007

Sexta foi dia de enorme passeio pela cidade, passagem rápida pelo Starbucks, uma apresentação ao Retiro, Atocha e uma vista de olhos na Warhol sobre Warhol que nos deu tempo ainda para um jantar erasmus.
Bolonhesa, Veggy Bras, Crepes Chines, Jamón y queso brie do dia, tostas, tortillas, sangría branca, Linda, Patrick, Alexia, Ilária, Christhian, Rita, Rui, Vasco. Ring off ire, marroquino e saída para o Low.
Bem, saída para a fila do Low, porque além de não entrarmos repetimos a espera uma vez por termos gostado tanto da primeira: tivemos 2 horas a falar com espanhóis e espanholas sobre coisas que não me lembro. Ficou a pseudo memória de que uma noite mesmo mesmo bem passada.
Já no sábado, por ser o último dia, eu e as Marianas escapamos para o retiro e tirámos umas super fotos a andar de barquinho (não as tenho), almoçamos no Burger King e apanhámos o autocarro até à exposição dos rabos, as know as “Ocultos”, junto as Torres Europa, onde acabámos por nos encontrar com o resto dos ciganos. Deu tempo para mais umas compras na Fuencaral e ainda para correr até ao Reina Sofia, so para dar uma mirada ao Guernica.
Mais um jantar óptimo, mais um marroquino, mais uma noite a ouvir músicas horríveis portuguesas e, segundo a Ilária, músicas pimba Italianas. À uma chega-me a Super Sofia e tropeçámo-nos todos para o Elástico até às oito da manhã. Os ciganos lá perceberam o que eu queria dizer com “noite diferente e melhor” e o Pinto ainda teve tempo para ser assediado por um rapaz de mais de metro e oitenta: Estás Soltero? NO, NO, NO, NO.
No fim ficam as comparações de algumas ruas de Madrid com Londres, a surpresa por tanta e tão boa cultura ser grátis, a facilidade com que se pode conversar e rir com espanhóis durante horas sem saber espanhól, o ódio de morte às tapas, por parte do Pacheco, o saltinho de certas mentalidades que se dá de Lisboa (e não só) para Madrid e, acima de tudo, o facto de que não há país como o nosso porque também não há pessoas como as nossas.
Aqui ficam as fotos (LINK). Vão ter de esperar pelas da Mariana.
Hasta… Siempre?
I – Los gitanos
December 4, 2007

Não é difícil gostar de Madrid quando alguém decide aparecer e dar-lhe um pouco da substância que tantas vezes lhe (me) falta. A cidade ganha mais cor, as ruas ficam mais ainda animadas e os programas saborosos.
Aterrou a Mariana Ferreira na terça-feira, a primeira visita oficial da semana, e saltámos logo para o Palácio Real, a Plaza Mayor, o Sol e, no fim, para umas Cuevas perfeitas para uma conversa sobre os planos da semana.
Com a chegada da Mariana Baptista fugimos para a Gran Via e Fuencaral, onde levámos, da Ferreira, um baile descomunal em compras. Comemos uma tosta e um sumo numa fast food saudável e à noite umas gambinhas com arroz em casa e com o Filipe [destrui a cozinha nesse dia].
No terceiro dia chegaram o resto dos ciganos para completar o acampamento (Já vos disse que para mim os AG são como os ciganos do Snatch?). Já com o Pinto, Pacheco, Filipe e Margarida tapeamos na Plaza St. Ana, conversámos com a Linda, Alexia e Ilária ao pé do España Cani e sangriamos mais uma vez nas Cuevas.