Rodrigo
November 20, 2007

Bem. Uma casa de 1800 euros por mês têm de ter todos os extra. Televisão por cabo, empregada uma vez por semana, televisões extra nos quartos se quisermos, aquecimento central, etc. Ora bem, hoje houve um upgrade.
Cheguei a casa e recebi a feliz notícia que temos um novo amigo cá em casa. Acho que é um pouco envergonhado porque ainda não o vi, mas diz quem sabe e que já testemunhou com os seus próprios olhos que existe e é todo remexido, simpático e destemido.
A parte do destemido só percebi quando me explicaram que andou pelo meio dos sapatos do Filipe e das pernas da Quina. Mas bem, o importante (como devem saber) não é isto. Não interessa quando chegou, quando parte, ou quando voltará a dar-nos o prazer da sua companhia…
O que interessa é saber que nome lhe damos.
A Quina quer Beto. Eu queria Rodrigo.
A verdade é que isto é um assunto delicado e achei por bem consultar-vos. Fica ao vosso critério.
EDIT:
ATENÇÃO. O Beto ou Rodrigo não é um hamster querido e fofinho que custa 17 euros na loja dos animais como me parece que as pessoas estão a pensar (perdoem-me a minha falta de objectividade). É um RATO. UM RATO DAQUELES QUE ENTRAM NA CASA DAS PESSOAS.
Agora podíamos perguntar: um rato num 5º andar? Um rato numa casa caríssima? Um rato daqueles nojentos?
Parece-me que sim. Mas merece respeito (desde que não se queira aninhar nos meus lençóis).
bb
November 20, 2007
Todos os dias à noite perco uma hora com fotografias e vídeos. Especialmente agora, que tenho 250 páginas em espanhol para ler para o exame de sábado.
Manifestação
November 17, 2007
A história é simples: na semana passada houve duas manifestações em Legazpi. Uma de extrema-esquerda e outra de extrema-direita. Acontece que as manifestações acabaram em confrontos na estação do metro e morreram duas pessoas, uma das quais um rapaz de 16 anos.
Marcaram-se durante a semana mais duas manifestações: no mesmo sítio (Sol), à mesma hora. É fácil antever o que se poderia passar. O professor de fotografia – que também dá fotoperiodismo (que é no segundo semestre) -, não nos incentivando, disse-nos que poderia valer a pena ir.
Saí à hora marcada com o Christhian de máquina na mão. Chegámos ao Sol e estavam espalhados centenas de polícias e manifestantes da extrema-esquerda pela praça. Grupos de 20 pessoas a serem revistados, manifestantes a ser detidos e dezenas e dezenas de fotógrafos, jornalistas e câmaras.
Tive tempo de subir a um poste, ver fotógrafos a ser “ameaçados” pelos manifestantes e falar com um jornalista da 5. Parece-me que a palavra de ordem da manifestação de esquerda “NO PASSARÁ” funcionou. Não houve confrontos e vim para casa bem mais animado.
Aqui ficam as fotos.
Minhas: http://picasaweb.google.pt/miguel.gameiro.leite/Manif
Cris: http://picasaweb.google.de/metropolenkind/SOL/
Pormenores
November 16, 2007
As pessoas têm tendência para se agarrar a pequenas coisas quando algo de grande se passa. Isto acontece em tudo. Na morte, na viagem, na guerra, no nascimento. É como se aquilo que nos ultrapassa fizesse mais sentido pela importância que damos aos pormenores.
Ontem cheguei, a mala ficou por desfazer à porta, não me alimentei bem e adormeci às dez da noite. O quarto ficou desarrumado, a mesa por levantar, as cortinas por fechar. Só hoje, já um dia depois, arrumei tudo. Arrumar tudo é saber que só vou voltar daqui um mês, que vivo aqui, que me encaixo aqui. Mas não é, nunca é, esquecer-me do que fica para trás.
É apenas sentir que não faz mal.
Entretanto fui a um workshop da Canon com o Christhian. tínhamos à nossa espera 3 estúdios profissionais, modelos e máquinas de 7000 mil euros para experimentar. Era irónico porque ninguém se concentrava nos modelos e se havia alguém a vibrar com alguma coisa, era com as máquinas. A foto do post foi uma das que tirei ontem.
http://picasaweb.google.de/metropolenkind/EOSDiscovery/ Aqui segue o link. A modelo morena foi o Chris.
Hasta luego…
Casa
November 16, 2007
Eu podia pôr-me a descrever as dezenas coisas boas que Lisboa me dá. O orgulho que tenho numa cidade que acredito poder estar à altura destas ditas capitais europeias. Mas vocês já sabem, não é?
Fui ao mar, vi o I Festival de Telheiras (5 estrelas:)), ouvi Seu Jorge, vi e não gostei de Bonde do Rolé, estive com os amigos, a família. Sabe tão bem. Sabe bem comer polvo em casa da avó, conversar com a mãe sobre o que se passa por aqui, ouvir os projectos dos amigos, matar as saudades.
Mas esta vez foi, das três, a que me custou mais. É estranho porque sinto que não pertenço nem a Lisboa, nem a Madrid. Reparto vontades, não estou dentro do contexto do grupo em Lisboa, não faço amizades suficientemente profundas para me apegar em Madrid. Erasmus é mais umas férias gigantes onde se aprende muito, mas muito, mas que as vezes parecem demasiado longas.
Há muitas teorias de pessoas que fizeram Erasmus ou de pessoas que nem sequer saíram de Portugal. Há críticas, brincadeiras, imaginários mirabolantes. Desculpem, Erasmus é bom, mas a minha casinha é melhor.
[PS – Trouxe duas postas de bacalhau na mala. Alguém me pode dar um exemplo de alguma coisa que seja mais tuga ? Orgulho em ser português. Orgulho em ter a roupa a cheirar a bacalhau.]
Detalhes
November 10, 2007
I – Em Madrid não vale a pena perguntar: “depois vamos lá ter? É que sou só eu e o Alex e como somos os dois gajos são capazes de embirrar e não nos deixar entrar na disco”
II – Hoje paguei 16 euros por duas bebidas. Ora bem, sabendo que uma cerveja no dia são 46 centimos, podia ter comprado 34,78260869565217391304347826087 cervejas.
Outonos
November 9, 2007
O Outono de Madrid trouxe-nos um dia de Inverno. Daqueles dias em que o frio pede um casaco e um gorro, em que as nuvens tapam o sol e as luzes da cidade nos dizem que não há problema.
Foi um dia de saída para a rua bem fria, para o metro abandonado pelas pessoas que optaram por ficar em casa e para o museu Thyssen, onde a Ilária me esperava. Lá estivemos com Rubens, Picasso, Miro, Munch, Van Gogh.
É daqueles dias em que não apetece sair de casa, mas que depois vale a pena. Vale a pena porque se sai para o Passeio do Prado já de noite e se entra num passo rápido no starbucks para um Chocolate Muffin e um café.
É daqueles dias em se pusermos um cachecol no pescoço e se encontrarmos uma boa companhia nos sentimos bem, Mesmo que longe de Lisboa. A propósito, amanhã chego. Isso põe-me (ainda) melhor.
Até já!
Llama el Océano
November 6, 2007
«Llama el Océano»
No voy al mar en este ancho verano
cubierto de calor, no voy más lejos
de los muros, las puertas y las grietas
que circundan las vidas y mi vida.
¿En qué distancia, frente a cuál ventana,
en qué estación de trenes
dejé olvidado el mar? Y allí quedamos,
yo, dando las espaldas a lo que amo,
mientras allá seguía la batalla
de blanco y verde y piedra y centelleo.
Así fue, así parece que así fue:
cambian las vidas, y el que va muriendo
no sabe que esa parte de la vida,
esa nota mayor, esa abundancia
de cólera y fulgor, quedaron lejos:
te fueron ciegamente cercenadas.
No, yo me niego al mar desconocido,
muerto, rodeado de ciudades tristes
mar cuyas olas no saben matar,
ni cargarse de sal y de sonido.
Yo quiero el mío mar, la artillería
del océano golpeando las orrillas:
aquel derrumbe insigne de turquesas:
la espume donde muere el poderío.
No salgo al mar este verano: estoy
encerrado, enterrado, y a lo largo
del túnel que me lleva prisionero
oigo remotamente un trueno verde,
un cataclismo de bottellas rotas,
un susurro de sal y de agonía.
Es el libertador. Es el océano,
lejos, allá, en mi patria, que me espera.
Clube Lucky Strike
November 5, 2007

Ora bem.
Num momento estou a comer massinha, carne de porco e uma saladinha de alface, milho, pimento e pepino e noutro estou a falar com um fotografo da Vogue.
A Alexia foi convidada para uma exposição de fotografia que acabava hoje as 22h. Procurámos o sítio e lá descobrimos que era um apartamento todo refundido numa rua meio escura. Depois de abrirmos a porta meio a medo, apareceu-nos o espaço Lucky Strike
Acontece que este pequenino lugar é um espaço patrocinado pela tabaqueira, meio privado e onde só podem entrar convidados. Estranho? Nem por isso. E porquê? Eu explico.
O espaço é giríssimo, todo fashion, evoluído, tipo loft. É, basicamente, uma casa transformada para ser um bar meio cozy, meio moderno. Com espaço wi-fi, mesa de snooker e que recebe eventos de moda, etc. Hoje estava cheio de modelos espanholas, mas isso não interessa (pronto, interessa um bocadinho. Vá, chatos, Um bocadinho enorme).
O que interessa é que os “sócios” deste clube “privado” podem comer, beber e ir à internet sem pagar nada. Um qualquer tipo de conceito de publicidade diferente. Acabei lá por conhecer a pessoa que convidou a Alexia, que é fotografo de moda e de outras tendências e que gosta muito da praia das Maçãs.
Moral da história: cosmopolitans e tostas mistas “à pala” para quando me apetecer levar lá alguém e fazer-me de importante.
É Magia ou Sonasol?
November 5, 2007
Já ouviram falar em magia? Alguma vez presenciaram algo de mágico? Algo enternecedoramente não humano, que nos envolve como se de uma energia benigna e redentora se tratasse?
A magia não se vende, sente-se. A magia não pode ser comprada, não pode ser falsificada. Acontece. É-nos inerente, porque nos pode acontecer, mas também é quase que inalcançável, porque é rara e o seu segredo está bem escondido.
A minha magia é o Erasmus. Não, não é porque conheci uma princesa que fazia o Ramadão, ou porque construi a arca de Noé em minha casa ou porque estou muito sensibilizado por conhecer pessoas de todo o mundo.
É magia porque todas as segundas-feiras algo acontece. Algo que me faz sorrir de alegria e querer abraçar o mundo como senão houvesse amanhã (ou porque sei que amanhã já não há magia), algo que me faz suspirar como se de repente me tivessem preenchido de alegria, ou algo que me faz chorar de comoção.
Todas as segundas-feiras as minhas meias desaparecem do chão. O lava-louças é limpo e a casa aspirada. A minha roupa, a minha tão bela roupa é dobrada, a cama feita e a WC limpa! QUE SE CANTE AOS DEUSES! QUE SE FAÇA UMA ODE!
QUERO SER POETA, oh tão sofrido poeta! Quero escrever a ti, magia, a ti empregada que vem das 12h às 15h e que está incluída no preço da renda. A ti empregada que me roubas as tristezas e me devolves este mundo virgem e que cheira a sonasol.
Isto não é religião, nem mito, nem estória. É Erasmus, é o meu Erasmus. Obrigado Irene.