O esquilo
October 27, 2007

Estive a pensar.
O Esquilo é o único animal da terra que devia estar em fase de extinção.
O que é um esquilo? Um esquilo é um animal com umas patinhas enternecedoras, um rabinho todo fashion e uma maneira de correr super cutxi-cutxi ou whatever lhe queiram chamar. Parece querido. Parece querido, mas não é!
O esquilo é cínico, é manipulador e um sabido. O esquilo é animal que se aproveita do homem para lhe roubar nozes e em dois segundos já se foi. O esquilo não quer saber de ti para nada.
El Escorial
October 27, 2007

Hoje foi dia de sair para ver se cumprimos o nosso novo objectivo: sair de Madrid pelo menos uma vez por semana.
Como ficou tudo a dormir ressacado e eu, a Pauline, a Rita e a Catarina fomos os meninos que ficámos a ver um filme, levantámo-nos bem cedo para ir ao Escorial. O Escorial é um Mosteiro/Palácio encaixado na serra de Guadarrama (a mesma da semana passada).
Começou a ser pensado em 1558 e a ser construído em 1567. Foi durante muitos anos considerado a Oitava Maravilha do Mundo e é, actualmente, uma maravilha de Espanha.
Nós chegámos lá, vimos um monumento muito grande e, por um qualquer motivo super transcendente, achámos que não era o Escorial e fomos embora. Andámos pelos jardins, vimos uns esquilos, tapeamos e, milagre, lá chegámos à conclusão que”aquilo” devia ser a Maravilha.
Resultado? Quando chegámos lá já estava fechado e não o pudemos ver por dentro. Bonecos?
Anyway, gostei muito mais deste pueblo (San Lorenzo del Escorial) do que Toledo. Tens umas casas super engraçadas, uns cafés todos tradicionais e está rodeada por dezenas de montanhas e jardins. Vale a pena. Aqui ficam as fotos. LINK LINK2
É nisto que dá estar noutra cidade. Acontecem outras coisas.
October 25, 2007

Hoje foi a primeira avaliação em fotografia. Eu, a Linda e o Christian preparámos aqui em casa uma camara obscura, que é basicamente uma caixa de madeira com uma película e uma pequena entrada de luz, e hoje fomos ver se funcionava. O professor elogiou-nos e agora parece que as nossas fotos ficaram boas (já sei revelar). Talvez amanhã já possa mostrar a minha.
Entretanto cheguei a casa com dois convites. Um da Ilária para o teatro e outro da Luísa (uma portuguesa que eu conheci através da Tahmina) para ir ver as exposições “Momentos Estelares: La fotografia en el siglo XX” e “Che Guevara. La vida en fotos.”
Cheguei agora das exposições e com uma vontade indescritível de sair à rua e começar a tirar fotografias. Sair, sair, sair. É incrível como nesta cidade à sempre algo para fazer todos os dias e todas as horas. Aqui é impossível “fugir” à cultura ou ter (muita) vontade de ficar em casa.
Há quanto tempo não acordava com vontade de ir para as aulas (e não para a esplanada ou algo do género)? Há quanto tempo não saía da faculdade feliz com a matéria que tinha acabado de aprender?
Entretanto anda-me a acontecer a coisa mais estranha de sempre. O Christian e a Linda se tiverem a falar em Alemão sobre alguma coisa em que eu esteja envolvido e em que esteja contextualizado, respondo-lhes em Espanhol e participo na conversa (percebo pelos gestos e palavras parecidas).
A quinta e a sexta vão passar a ser os meus dias do ócio. Só tenho fotografia das 13h às 14.30h. De manhã vou para o laboratório revelar fotografias (o material é oferecido e podemos ir para lá as manhãs que quisermos) e à tarde vou para o ginásio.
Vida boa.
[E também dez mil milhões de saudades de Lisboa]
A Serra!
October 21, 2007
Hoje não me apeteceu fazer o mesmo do costume. Aceitei um convite da Valentine e da Pauline e levantei-me as 8h da manhã (sim, às 8h da manhã de um Domingo) e fui para a uma Serra aqui perto de Madrid (1hora de autocarro).
Eu mais seis franceses. Eu a ouvir francês e a responder em espanhol. 2 e meia horas a subir até aos 2500 metros, a conversar, a arfar, a cansar. Foi giro, esteve-se bem. O silêncio lá em cima é qualquer coisa.
Ficam aqui as fotos. Click here!

É urgente.
October 20, 2007

Quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar, quero surfar.
Fotografias dos anos da Rita
October 19, 2007

A ceia portuguesa
October 19, 2007
Nós, portugueses, temos um problema. E dos grandes.
Já tentaram convidar algum estrangeiro a comer em vossa casa algo de tradicional do vosso país? Ou já tentaram sequer explicar noutra língua o que é tradicional no nosso país?
Qualquer coisa como:
I – I there! Do you wanna go to my house today? I’m gonna do a Pescadinha de Rabo na boca for you! What´s a Pesquaduini de Rabuli na Bueca? It’s a little fish with the ass in the mouth!
II – Hey, do you wanna lunch in my apartment today? I’m gonna do Pataniscas de Bacalhau. Deixo ao vosso critério (e imaginação) a explicação para este prato. Eu começaria por dizer que Bacalhau is a fish that is already sliced and smells like genitals.
III – Hoy tenemos Bife com ovo à Cavalo! Que es ovo à Cavalo? Es un huevo que está en el bistek como si el bistek fuera un cabalo! Los portugueses son muy raros!
Ou expliquem-me com que cara convido alguém a comer favas com chouriço, cabrito assado, caldeirada, peixe frito de escabeche, cozido, torresmos, caracóis, açorda…
Então pus-me a pensar (ainda mais) e questionei-me: será que temos algum prato que não seja indigesto? Algum prato que não nos deixe com vontade de morrer de cheios que estamos depois de almoçar?
Com que cara convido um alemão educado, uma francesa delicada ou um grego das saladas a vir a minha casa? Com que cara?
Três conclusões sobre a história do português
October 19, 2007
I – O meu espanhol é mau. O Português percebeu de onde era.
II – Seja executivo ou mendigo, o bom português cumprimenta-se sempre com um foda-se bem afável.
III – Todos os mendigos aqui querem dinheiro para uma cerveja. Qualquer coisa como a última demanda, a última ceia, a última esperança.
O Português
October 19, 2007

Hoje a Tahmina fez anos e fui tomar um café com ela. Bem, a história não está bem aqui. Hoje fui tomar café com a Tahmina e conheci um português, o Português.
História triste a do Português. Estava a conversar com a Afgã e chegou um dos seis mil milhões trezentos e sessenta e cinco mendigos de Madrid (eu contei) para pedir qualquer coisa a que eu disse não (mesmo antes de pedir). Qualquer coisa como: hola? No!
Mas este mendigo tinha ar de ser iniciado na coisa e agachou-se e, num espanhol bem melhor do que o meu , retorquiu: Pero nem sequer sabes o que vou pedir. Ao que o Português de mau aciento (eu) respondeu: dinero para un gaspacho!
No! Para una cerveza! Estás equivocado! Jeje! Respondeu o mendigo. E eu, ahh haces bromas, oh mendigo! E ele: FODA-SE!
Foda-se?
(…)
E eu. És português? Sou! EISH Ganda festa. Levantei-me, abracei o mendigo e começámos a dançar qualquer coisa tradicional de Trás-os-Montes. Não, mentira. Demos um “granda” hi5 e começámos a falar da vida dele.
O mendigo, agora o português, o Português, tinha vindo de Castelo Branco para Madrid trabalhar como jardineiro. Há uns meses teve um acidente de trabalho, parafusos na perna e a empresa a não lhe pagar o seguro. Dois meses depois foi roubado e, sem dinheiro nem BI, foi para a rua. Perguntei-lhe o que ia fazer: juntar dinheiro para apanhar o comboio para Lisboa. Perguntei-lhe se tinha família: tinha um pai maluco que fez com que a sua mãe se matasse e com quem não fala.
Ficámos apreensivos, absortos nesta história triste até que o Português interrompeu a história e me disse algo profundo, algo como: “tens dois euros?”. Foi tão bonito.
Eu como boa pessoa que sou disse-lhe que estava em Erasmus e que não tinha dinheiro para ele. Despedimo-nos afavelmente e, num qualquer esperança ingénua dissemos… Hasta luego. Hasta luego.

Finalmente, finalmente num grupo de espanhóis! Falei com a Blanca, amiga da Matilde (que esteve em Madrid e conheci ainda em Lisboa) e lá nos encontramos na faculdade. É abismal a diferença entre o meu espanhol com Erasmus e o espanhol que consigo falar com espanhóis.
Estive com a Blanca, o Miguel, o Tomás (Austríaco) e mais três raparigas que não me lembro do nome a falar de regionalismos, das aulas, da direita espanhola e da obsessão de Madrid com o dia de Espanha.
Soube que a cadeira Semiótica da Comunicação de Massas é desejada por toda a faculdade! O professor parece que é um dos melhores e não há ninguém que não fique surpreendido com a inteligência do homem. Enfim, Universos diferentes.
Estava lá uma rapariga das Canárias. Sabiam que nas Canárias também se odeia Madrid? Além, claro, da Catalunha, do País Basco, etc., etc. Chegou-se à conclusão que Espanha é o género de um Médio Oriente sem (tantas) bombas e que nenhum Madrileno (sim Espanha acho que é só Madrid) se deve sentir bem noutro lado. Ninguém se entende e, basicamente, ninguém se entende. Sim, que se sublinhe: ninguém se entende.
Gozei com a das Canárias (as Canárias são dos melhores lugares do mundo para o bodyboard; ela faz surf e vou dar shot em ir lá) por não se terem aguentado como nós nos aguentámos e falei que, mesmo assim, Madrid estava a conquistar mais território (o restinho da península) através da Zara e do Corte Inglês. Um qualquer novo (e giro) tipo de neocolonialismo.
São todos muito políticos, reivindicativos, críticos. Gostei, apesar de estar à toa por conhecer tão pouco da política espanhola. Vou-me esforçar por comprar mais jornais.
Enfim, de resto não tenho feito grande coisa.
Visitei Toledo. Fui ao Reina Sofia. Fiz compras no Rastro. Passeei com o Manel e a Filipa. Dormi no Retiro, conversei com a Alexia no Parque Oeste, fui às aulas… E ah! Fui a Lisboa. Sim, a Lisboa.
Qualquer coisa como: “Noc, noc: Quem é? É uma surpresa. Surpresa? Olá Mãe, é o Miguel. O queeeeeeeeeeeeee? Mas não estavas em Madrid? Oh, oh. Tinha de fazer isto.
Agora o nosso melhor amigo vai ser o Guia del Ócio e já temos uns cinco concertos para ver, umas três exposições de fotografia grátis, um musical e uns bares para conhecer. Destas vez soube-me mesmo bem voltar. Não me perguntem porquê.