Dia 24 (27 de Setembro)

September 27, 2007

Último dia, última aula para o português. Lá consegui ir para a Faculdade a andar tipo aleijadinho e só cheguei uma hora atrasado. Fizemos uns poemas em espanhol, trocámos emails e acabei por me despedir de imensa gente que não vai estudar na mesma faculdade que eu e que, provavelmente, nunca mais verei. Aqui fica o nome de alguns dos meus colegas (só a titulo de curiosidade).

Alexia Cujus, Linda Wagener, Ilaria Di Napoli, Alexander Warlo, Cristopher Weigaud, Ingvill Stuvoy, Nora, Victoire Chapenois, Agata Akineza, Luca Gabbianelli, Aleksandra Osikowska.

Bianca Vemmi, Laura Rovamaa, Sarceli Gloeckner, Elisabeth Hake, Sophie Guyene, Cyrille Bosch, Khilen Mehta, Cristian Mutter, Elvino Silva, Euníke Wetzel, Francesca Rossi, Peppe Di Bella, Roberta Giordano, Minna Oh, Ornella Spagnulo, Gel, Sara Zehner, Mathieu e Rolan Landor.

Daqui a 3 horas vou estar em Lisboa. Até já.

Dia 23 (26 de Setembro)

September 27, 2007

Obviamente que não ouvi o despertador e cheguei uma hora atrasado. Deu para perceber a matéria e lá combinámos mais um jogo.

Hoje fiquei surpreendido com a nossa capacidade de assimilarmos as línguas dos outros países.

Torci o pé e, em 10 segundos, falei em Inglês, Francês e Espanhól. Putain! Putaiiin. Fuck, fuck, fuck. P+k* maaaadre. Joderrrr.

Entretanto tenho o tornozelo do tamanho de uma courgette (troquei a courgette pela batata em honra da Sofia) e mal posso andar. Já não há saída para ninguém.

Dia 22 (25 de Setembro)

September 27, 2007

 

 

Barcelona é arte, é Gaudi, é mar, é Catalunha, é residência espanhola, é ramblas e arquitectura. Esta é a cidade que eu conheço e conheço mal. Em Barcelona sinto que posso olhar para o horizonte e ver o mar como fundo. Olhar para a direita e ver uma montanha, entrar numa casa e ouvir falar um português que dá saudades de casa.

Mas Barcelona também é ruas sujas, passeios castanhos e prédios não tão estonteantes como se gosta de dizer. É regionalismo em demasia, é Catalão…

Conheci o Jota, a Carolina, a Isabel e estive com a Sofia, o meu primo e, claro, a Joaninha. Esteve-se bem. Está-se bem em Barcelona. Agora que volto para Madrid, para a metrópole, penso numa cidade que me parece mais organizada, mais limpa, com monumentos mais monumentais e jardins mais bonitos. Ruas largas, com prédios limpos e onde as pessoas se vestem de forma diferente e parecem agir de forma diferente, mais aberta. Conheço mal esta que vai ser a minha casa nos próximos tempos, mas até nem se está mal.

Anyway, entre Madrid e Barcelona escolheria sempre Lisboa.

Lisboa. Essa cidade que tem o mar tão perto, o rio tão bom de ver, a história tão longa e as pessoas tão minhas. Já falta pouco para poder voltar por uns dias.

Entretanto já estou atrasadíssimo para apanhar o autocarro. É sempre difícil ter de deixar um bocado tão grande de casa para trás. Gostei mesmo Joaninha.

 

(…)

Já cheguei. Viagem fácil. Agora saudadinhas. Sair de Madrid e voltar é como recomeçar. Jantar e cama. Amanhã há aulas.

Dia 21 (24 de Setembro)

September 27, 2007

Deitar cedo e cedo erguer dá saúde e faz crescer, mas é difícil. Saímos às duas para o Parque Guel e lá fomos ver mais um dos símbolos da cidade. Lembram-se do Ursinho de Madrid? Barcelona tem o Lagarto Ganzado.

Isto poderia parecer estúpido e, de facto, é estúpido. Mas a verdade é que os Catalães têm ar de se preocupar muito menos com as aparências, ao ponto de parecerem até um bocado abandalhados. Então, nada melhor que um Lagarto Ganzado para ser o centro das atenções.

O Lagarto Ganzado tem uma vida um bocado complicada. Não está cinco minutos sem ter alguém em cima, um chinês estúpido a pôr-lhe a mão na boca ou uma transexual a tirar uma foto sexy com ele. O Lagarto Ganzado está-se sempre a babar e não fecha a boca há dezenas de anos. Eu tenho pena do lagarto Ganzado.

Depois de termos fumado uns porros com o Lagarto Ganzado e ouvido um guitarrista mesmo bom numa pequena praceta, seguimos até ao centro e fomos comer a casa muito rápido. Fogo-de-artifício com música, ou melhor, um bom fogo-de-artifício com música a fechar a Mercê e de volta para casa para fazer serão.

Dia 20 (23 de Setembro)

September 27, 2007

Sete da manhã e noite branca acabou para mim. Fui a casa buscar a mochila e às 8.00 estava a sair para Barcelona. Bem dita escolha. Das quatro paragens, só senti uma e acordei a 30 minutos de Barcelona.

Obviamente que tinha a melhor pessoa do mundo a minha espera e, curiosamente, era portuguesa e rabuda.

Em 10 minutos estávamos na praça da Catalunha e em 15 no meio da confusão das Ramblas. Mais 5 para a casa da Joana e pimbas: vejo o prédio mais feio do mundo e, em 30 segundinhos apenas, a casa mais confortável e perfeita de Barcelona! É bom saber que estás tão bem.

Mas também cheguei a Bcn pela Mercê, a maior festa de Barcelona. Quatro dias, quatros noites brancas. Quatro dias de espectáculos de rua, concertos e festa, muita festa.

Obviamente que o primeiro lugar que quis ver foi o mar, ou aquela amostra de mar. Mas só essa amostra vale muitos dos jardins de Madrid. Pessoas a andar de patins e bicicleta, a passear cães, a correr, a tomar banho, a… surfar?  Enfim, soube bem conversar, ver algo que não apenas prédios e estar com uma amiga. E que saudades…

À noite comemos um bom jantar feito pelo chefe Jota. As sete horas e meia de viagem deram sinal e fomos só passear um bocadinho. Comemos uma waffle na Praça da Catalunha (só com a Joana é que como waffles), fomos ver a casa Batlló e metemo-nos pelas ruas do centro até encontrarmos um concerto muito bom.

Dia 19 (22 de Setembro)

September 27, 2007

 

Bruxelas, Paris, Riga, Roma e… Madrid. 7 horas de música, dança, museus, circo, fogo de artifício e outros. Uma noite em que nada fecha (ou quase nada) e em que ninguém pode ficar em casa. Assim o fiz.

Saí para o Sol (centro) e do Sol para o resto da cidade. Nunca tinha visto uma cidade com tanta gente na rua, com tanto para fazer e com tantos sítios para ir. Eu, a Alexia, a Ilaria, a Linda, o Filipe e mais dois franceses lá nos metemos pelas ruas Madrilenas à procura de algo de novo.

Parecia que o Benfica tinha ganho ou que a revolução tinha saído à rua, mas… pouco mais que isso! A quantidade de coisas para fazer era tão grande e estavam tão dispersas que o único resultado (para quem não conhece a cidade) foi mesmo não conseguir escolher nada de jeito.

Metemo-nos pelo passeio do Prado e vimos um espectáculo de dança, descemos até Atocha onde se estava a transmitir um filme, passámos por Embajadores para ver um circo (não me perguntem porquê, sorte que acabámos por não entrar por causa da fila) e acabámos no Matadero de Madrid a ouvir música e a beber sangria.

Entretanto, enquanto estávamos numa de cinco filas para entrar no Matadero (com mais duzentas pessoas) fomos barrados pelos seguranças. Estavam a espera que saísse gente para equilibrar a lotação. Resultado? Revolta momentânea dos educadinhos dos espanhóis. Barreiras no chão e duzentos macacos e macacas (incluindo um surpreendido, mas feliz da vida português) a passarem literalmente por cima da organização.

Acabámos na conversa e a conversa acabou em tonterías. Os franceses acham que as portuguesas têm rabos gordos e pelos nos braços. Eu como bom português tive que dizer que as francesas não tomavam banho e tinham pelos nas axilas. Ficámos de combinar uma ida a Toulose e outra a Lisboa.

NOTA: Estive a pensar um bocadinho e as minhas amigas são, de facto, um bocado rabudinhas. Ahah

Be right back

September 23, 2007

NOCHE EN BLANCO Y

BARCELONA

 Post soon.

Dia 18 (21 de Setembro)

September 22, 2007

metroOntem encontrei a primeira pessoa capaz de me fazer rir sem parar. Não porque seja Afegã ou porque se chame Tahmina, mas porque, simplesmente, tem piada. É Afegã, mas vive na Alemanha e, como todos os outros Alemães, gosta de música electrónica.

Não sei porquê, mas sempre que imagino um Alemão imagino-o com uma garrafa de água numa mão e uma pastilha na outra.

Fomos todos para um bar chamado Via Láctea. Um grupo de 30 Erasmus, incluindo as novas aquisições de Portugal. Este bar tem algo de particular. Algo ou alguém, isto é, o meu coordenador de Erasmus.

Pois é, a pessoa responsável por me atribuir notas, apoiar em Espanha e tratar das burocracias é porteiro num bar em Madrid. Não é encorajador? De dia na Complutense, à noite numa rua cheia de bêbados e vestido com um fato comprado na Maconde.

Acabámos por ir para o Palácio (uma discoteca horrivelmente horrível) para a minha primeira e também horrível festa de Erasmus. Demasiada gente, demasiado weei’manErasmusboy andiwannagetlaideverydaybuticant e má música. Acabei por ser salvo pelas piadas do Médio Oriente.

Deitei-me às 6h e às 9h já estava pronto para ir para às aulas. Às 19h tenho jogo e agora vou dormir duas horinhas.

(…)

Finalmente encontrei mais portugueses. Pois é, eles existem e parece até que já têm um grupo grande. Eram os dois betinhos e pouco simpáticos, mas isso não interessava para o caso. A turma B2.4 ia jogar contra a C1.1.

O jogo começou normalmente, com o típico cumprimento entre dois portugueses quando jogam a bola: uma cabeçada. Olho negro para mim, lábio aberto e dente a abanar para ele. Fiquei em vantagem.

Obviamente que os quatro Alemães de metro e oitenta, o português cabeças e o Belga que gosta de dizer Rééématá ganharam por 6-2 e foram convidados para jogar mais uma hora contra uns Italianos.

Jogar contra Italianos é mais uma experiencia a ter. Imaginem a bolsa de valores de Nova York. Os gritos, as discussões, a correria. Agora imaginem que essa bolsa se transforma numa pizzaria gigante e que toda a gente de repente começa a usar chuteiras. Não se calam 30 segundos. Voltámos a ganhar.

Agora à noite vou para a casa da Ilaria ver um filme ou apenas conversar um bocado. Há mais uma festa em casa de uma polaca da minha turma e depois outra numa discoteca perto de Atocha. Mas cheira-me que não vou.

Nota sobre a última noite:

9 euros em três cervejas. 10 euros de entrada na disco (e é barato). 7 euros de táxi. 26 euros para sair. Por cada fim de semana que passo cá, posso ir e voltar a Lisboa.

Dia 17 (20 de Setembro)

September 20, 2007

class

 

 

Hoje jogámos ao jogo mais estúpido do mundo. Já vão perceber porque é que acho estúpido.

Consistia basicamente num trabalho feito em casa em que tivemos de responder a várias perguntas, entre as quais:

1 – Imagina um caminho. Descreve-o.

2 – Encontraste uma chave no caminho. Como é a chave?

3 – Apareceu um urso a tua frente, o que é que fazes?

4 – Encontraste um bosque, como é o teu bosque?

A cada resposta correspondia uma determinada interpretação da pessoa que éramos. Até descrição do caminho, tudo bem, pois esta resposta correspondia à maneira de ver a nossa situação actual. O meu caminho era solarengo, via-se o horizonte e as árvores estavam muito verdes.

Foi a partir desta altura que comecei a desgostar do jogo.

A chave correspondia ao nível de materialismo. Se antiga, éramos pouco materiais, se de ouro, ligávamos mais ao dinheiro. Ora, a minha chave nem sequer era uma chave. Eu disse que no meu caminho parecia uma chave, mas na realidade era uma moeda de 2 euros que eu gentilmente tinha guardado no bolso.

Mas o verdadeiro problema veio a seguir.

À descrição do urso correspondia a nossa “relação” com o sexo. Houve imensa gente a dizer que o urso era feroz, castanho, grande e assustador. Houve quem dissesse até que o seu urso estava borracho. Mas no fundo, no fundo toda a gente ficou feliz da vida com a sua resposta. Eu então, não pude falar. E porquê? O meu urso era pequeno, maricas e desatou a fugir de mim.

Mas a cereja no topo do bolo veio quando descobri ao que correspondia a descrição do bosque. A descrição do bosque correspondia ao estado de espírito com que estávamos quando fizemos as respostas. Ora eu ontem à noite lembro-me de escrever que a única coisa que havia de jeito no meu bosque era uma família de oito ursos.

Às vezes é melhor estar calado.

(…)

Hoje foi dia de futebol. Os Italianos dizem que eu tenho muita técnica (ahah). Amanhã já há jogo contra as outras turmas do espanhol e vamos criar um grupo no Google para fazermos jogos todas as semanas depois do curso acabar.

Entretanto vou-me inscrever na capoeira (ahah2) e ver se começo a pensar no horário e nas cadeiras que vou querer para este semestre.

47,50€ é quanto custa um bilhete de ida e volta para Barcelona. De Domingo a Martes para o dia de La Virgen de la Merced: “El más grande, colorido y alocado festival en Barcelona” e para ver a Joaninha, a Sofia e toda essa facção portuguesa que fugiu para Barcelona.

Logo às 23h a turma vai-se juntar para ir para uns bares e talvez para alguma festa. Hasta luego!

Dia 16 (19 de Setembro)

September 20, 2007

 

mar

Finalmente portugueses, finalmente português. Finalmente lembrar casa, ter saudades. Finalmente querer o mar, sentir um cheiro a casa, procurar por lembranças que não são daqui.

Estive com o Rui, a Rita e a Isabel. O Rui e Rita roeram o Rato do Rei da Rússia… Não, estou a brincar. O Rui e a Rita já arranjaram casa. Estão a gostar de Madrid e já a compararam com Londres, Paris e Nova York.

Hoje foi um dia normal, tão normal como todos os dias normais da região mais normal do mundo mais normal de um tipo de universo normal. E foi bom. Foi bom porque há tempo para as saudades, para marcar viagens, para ler e escrever longe do computador.

Finalmente parei. Parar é necessário.