Adeus
February 19, 2008
Hoje voltei ao meu primeiro dia na UCM, mas já não era eu. Também estava sozinho, também não conhecia ninguém. Tentava falar espanhol ou rapidamente passava para o inglês. Mas desta vez a pessoa que estava ali, à minha frente e a fazer o mesmo que eu fiz cinco meses e meio antes antes, era um rapaz louro, provavelmente belga.
Era eu, mas já não era eu. Tinha chegado há dois dias e tentava conhecer pessoas da mesma forma que eu, com a mesma incerteza. E eu, que agora esperava pelos últimos papeis que tinha de levar para Lisboa, vi-me a sorrir…
(…)
Agora já sentado no avião, faço precisamente uma viagem a esses tempos que voaram, a essa experiência que tinha de ser feita, essa novidade inegável. E foi assim.
Um primeiro mês de medos, pessoas novas e uma língua diferente. Outubro e Novembro de aulas, visitas e escapadelas por Lisboa ou Barcelona.
Dezembro mês de Itália, dos amigos, da consolidação de algumas relações “erásmicas”. Janeiro e Fevereiro: muito estudo, muitos trabalhos de fotografia e o sentir que, se quisesse, já podia viver como se a Madrid pertencesse.
Mas não pertenço. Esta cidade é de outras gentes, lidas e procuras. Não me desiludiu, encantou-me por vezes, mas não me ganhou.
Serei sempre Portugal e saber isso é ter um sentido de pertença que só me pode deixar feliz.
Não me esquerei da vida que encontrei nas ruas, das vontades que (re)descobri ou no encanto que é conhecer pessoas de outros países.
Vou lembrar-me da Alexia, do Christhian, da Luisa, da Ilária, da Sara, da Amélie, da Maria Amor, da Eva, do David, da Linda, da Ingvill, do Gel, do Elvino, do Alex, da Tahmina, do Cristhopher, do Luca, do Felix, da Pauline, da Valentine, da Gro, da Dro, dos meus professores Guillermo e Dader e do (grande!) Vicente.
Vou lembrar-me também (e tanto!) da Catarina e do Filipe por termos conseguido sobreviver à incontornável convivência.
Foi bom saber que correu tudo bem até este preciso momento em que vejo a cidade desde a janela do 18F.
Nada é total na nossa vida. É isso que nunca não esquecerei. O único caminho é evoluir, é querer fazer mais e melhor por nós, mais e melhor por quem vale a pena.
Chegou a altura de um novo desafio. Adeus e obrigado por me lerem.
12-02-08
O melhor do meu Erasmus
February 11, 2008
O melhor que aconteceu no meu Erasmus
até agora foi…
… A Patricia Conde, do “sé lo que hicísteis”!

Gracias Patricia.
Três semanas depois…
February 10, 2008
Três semanas depois…
…Vesti umas calças lavadas!

É bom saber o que somos.
February 9, 2008
Estive o resto da noite a tentar adormecer. Já são 9h e pouco e ainda não consigo deixar de pensar no mesmo. A minha cabeça anda fértil. E sim, talvez seja do tamanho, mas a verdade é que não pára de pensar. Pensar em mim, tirar conclusões. Reflectir.
É que 3 horas de insónia depois, tive mesmo de partilhar. Há sentimentos que nos provam certas realidades que antes nem sequer conhecíamos. É bom saber que posso ser sincero e genuíno comigo próprio. Estes 5 meses de Erasmus mudaram-me. Mudaram-me profundamente. Sei o que sou a mais: mais atento, mais preocupado, mais crente.
Crente nas minhas convicções, qualidades, defeitos e até vontades. Crente em tudo o que me rodeia e, principalmente, crente na minha “auto” consciência. Crente por saber que concordam comigo.
Se eu fosse um rei, seria o Rei Miguel, o Sensual.
[DISCLAIMER: Isto é a gozar do princípio ao fim]
Vamos sair amanhã.
February 9, 2008
E se eu te perguntasse agora para viajares comigo durante 3 meses na América do Sul?
E se eu te perguntasse agora para viajares comigo durante 1 mês no Afeganistão?
E se eu te perguntasse agora para viajares comigo de Manhattan a Santa Monica?
E se eu te perguntasse agora para apanharmos um comboio em Berlim e sair em Pequim?
E se eu te perguntasse agora para apanharmos um avião para qualquer parte de África?
E se pudesses não dizer que não tens dinheiro?
E se pudesses não dizer que não tens tempo?
E se pudesses não dizer que não tens autoridade?
E se pudesses dizer que tens coragem?
E se pudesse dizer que tu é que decides?
E pudesse ser sincero na tua resposta?
O que se encontra!
February 3, 2008
Estava já nas primeiras arrumações de “despedida” de Madrid quando encontrei isto.

Achei piada, traz algum tipo de memória engraçada. Sei que não tenho dito nada. Semiótica, Historia del Cine Informativo e, acima de tudo, Fotografia têm-me roubado algum tempo.
Tenho-me apercebido que vou voltar para Portugal com uns quantos amigos feitos. É bom saber isso.
Beijinhos, abraços e muitas saudades*
Porque toda a gente tem direito a um post wee.
January 25, 2008

Evoluir
January 23, 2008

Entre tralhas, estudos e encontros erásmicos esporádicos, lá me vou lembrando que esta viagem começa a chegar ao fim e que há muita coisa para levar para Lisboa.
Neste momento, sinto que não me poderei esquecer de trazer as boas pessoas que conheci, seja como for. Que não me poderei esquecer do valor que aprendi a dar a Lisboa, venha o que vier. Que não poderei deixar para trás esta vontade enorme de sair à rua e procurar construir ou ser alguma coisa, seja o que for.
Erasmus acordou-me e lembrou-me que ninguém tem lições estudadas.
Make a View é apenas o reflexo de uma vontade que nasceu por cá. É verde, é inexperiente, é de quem está aprender. Mas é, definitivamente, algo que não acaba aqui.
Real Madrid
January 15, 2008

Amanhã finalmente vou à bola! Real Madrid contra o Mallorca para a Taça. O Real perdeu na primeira mão, portanto deve valer a pena.
Valerá com certeza. Nem que seja porque a ETA fez uma ameaça de bomba para os próximos três jogos do Real, o que significa que poderei levar a máquina.
Agora sem brincadeiras, o Filipe falou com os espanhóis que disseram que as ameaças com vários de antecedência da ETA não são para levar a sério. Apenas quando avisam uma hora antes que um carro vai explodir não sei onde é que devemos pensar duas vezes.
Seja o que a ETA quiser.
[num post quase sem caracteres nenhuns consegui dizer 8 vezes "que".]
Cidade com vida
January 12, 2008
Passaram-se três semanas de descanso em Lisboa. Depois de Itália, foi tempo para receber mais uma leva de amigos, ver os lugares do costume, ter tempo para ver neve no Escorial e partir apressadamente para o Natal e o Ano Novo na minha terra.
E agora, de volta a Madrid, sinto que voltei menos amedrontado, menos assustado, mesmo sabendo que ia ter um mês de estudo pela frente (by the way, tive um Notable no primeiro exame) e que provavelmente não teria tempo para estar com as boas pessoas que encontrei por cá.
Logo na primeira aula de fotografia fiquei abismado com as fotos de uma colega da Roménia, a Luisa. Cheguei cá e senti que a rotina, o dia-a-dia assegurado em Lisboa e os círculos que frequento quase me faziam perder um combóio que nunca quererei perder. O dos projectos de vida, dos sonhos, da producção de hobbies artísticos, de ambições pensadas.
Só quero poder voltar para Lisboa e não me esquecer do que aprendi, fui e cresci em apenas 4 meses por Madrid. Esta cidade que me encanta, que dá oportunidades a quem luta (a Luisa foi convidada meia hora depois para trabalhar e ser paga num Atelier de fotografia publicitária), que tem muitos defeitos, mas que tem certo tipo de qualidades que conquistam qualquer um.
Apeteceu-me escrever porque saí à rua. Ouvi português e mais umas três línguas diferentes, nadei no meio de uma multidão de pessoas de um mundo inteiro, furei filas para teatros, comprei dois livros numa livraria que estava a abarrotar e furei os tímpanos com os apitos dos polícias.
Acho que com os meus amigos e família cá, vivia aqui mais um ano.